27 de setembro de 2009

Livros Antonio Carlos Xavier


Na Estante

A Era do Hipertexto
Linguagem e Tecnologia



ISBN 978-85-7315-629-4
Livro em português Brochura
1ª Edição - 2009
Brinde: Versão Digital
R$ 40,00 + frete
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Como se faz um texto para concursos


ISBN: 857315487x
ISBN-13: 9788573154870
Livro em português Brochura
1ª Edição - 2008
R$ 17,00 + frete
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O texto na escola
Produçao, Leitura e Avaliação


ISBN: 978-85-98968-16-2
Livro em português
Brochura
1ª Edição - 2007
R$ 30,00 + frete
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A linguagem do Rádio
Estratégias verbais do comunicador


ISBN: 8587069152
ISBN-13: 9788587069153
Livro em português
Brochura
1ª Edição - 2006
R$ 25,00 + frete
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Como se faz um texto
A construçao da dissertaçao argumentativa


ISBN: 8587069144
ISBN-13: 9788587069146
Livro em português - Brochura
1ª Edição - 2005

R$ 25,00 + frete
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Para Encomenda


Hipertexto e Gêneros Digitais
Novas formas de construçao de sentido


ISBN: 8586930369
ISBN-13: 9788586930362
Livro em português Brochura
16 x 23 cm
1ª Edição - 2004
R$ 30,00 + frete
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Conversas com Linguistas
Virtudes e controvérsias da Linguistica


ISBN: 8586930369
ISBN-13: 9788586930362
Livro em português Brochura
16 x 23 cm
1ª Edição - 2004
R$ 30,00 + frete

21 de setembro de 2009

O Acordo Ortográfico e as mudanças na língua



Ilustração: Revista Época. Clique para ampliar.

Já estão em vigor as reformas no sistema ortográfico de algumas palavras usadas pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que inclui o Brasil. O que fazer? Os estudiosos da linguagem há muito já provaram que as línguas são invenções humanas. Uma vez criadas, ganham vida, movimento e funcionamento próprios. Produto da inteligência coletiva, criativa e adaptativa dos falantes, elas permitem-nos expressar nossas necessidades afetivas, sociais e religiosas.

Os linguistas vêm mostrando, por meio de pesquisas científicas sérias, que todas as línguas passam por variações e mudanças ao longo do tempo e nos diferentes espaços por onde estão distribuídas. Para acompanhar esses dois princípios naturais das línguas, fazem-se necessárias constantes revisões nos documentos que regulamentam a modalidade escrita dos idiomas, já que controlar as inovações na fala de um povo é praticamente impossível. Na verdade somos nós falantes os reais donos da língua; somos nós que propomos, às vezes até inconscientemente, mudanças linguísticas que podem ser adotadas ou não. A ampla adesão dos falantes de diferentes classes sociais a uma nova palavra ou expressão pressiona indiretamente as instituições a incorporá-la e a legitimá-la no léxico (conjunto de palavras) da língua.

Assim, quando uma novidade linguística começa a aparecer reiteradamente nos textos da mídia impressa, eletrônica e digital, os dicionários e documentos dos poderes constituídos incorporam-na oficialmente. Em geral, só depois de todo esse complexo processo de absorção social é que as gramáticas normativas escolares admitem a existência de tal inovação no idioma, rendendo-se, enfim, à mudança na língua. A reforma ortográfica que entrou em vigor revela um grande avanço. A promoção de um acordo ortográfico abranjendo todos os países lusófonos não é só uma iniciativa política com efeito diplomático e econômico entre tais países. Esse acordo representa também o reconhecimento de uma necessidade prática há muito percebida por todos os profissionais que vivem da escrita.

Ninguém com um mínimo de escolaridade e bom senso confundiria a preposição “por’ com o verbo “por” grafado sem o acento diferencial como na frase: “Por mim, o governo deveria por ordem na casa”. Será que as pessoas deixarão de aproveitar uma promoção de lingüiça no supermercado quando essa palavra aparecer no cartaz sem o trema? O Brasil deixará de ter “um brado heroico e retumbante”, caso o ditongo aberto “oi” não esteja incrementado com o acento agudo? A palavra “feiura” ficará mais ‘feia’ se for retirado o acento agudo no “u” tônico como propõe a reforma? Sejamos razoáveis, nada disso nos impedirá de compreendermos o sentido da frase pela ausência ou presença desses sinais, pois são o co-texto (as outras palavras em volta) e o contexto (a situação de comunicação) que determinam o sentido de uma palavra ou expressão. Se deixarmos de entendê-lo, o problema não será dos acentos ausentes.

Embora tímida, a reforma ortográfica vislumbra uma crescente sensibilidade dos falantes do Português a aceitar a língua como um fenômeno cultural e histórico construído socialmente com a contribuição de cada um de seus usuários. Esse Acordo revela a percepção da estabilidade relativa da língua, que não pode ficar refém dos caprichos de meia dúzia de puristas que dela se acham proprietários. A língua muda porque nós estamos sempre mudando, estamos nos renovando a cada dia. Talvez essa seja nossa maior riqueza: nossa capacidade de renovação expressa principalmente por meio da linguagem. A língua apenas reproduz essa “metamorfose ambulante” que inelutavelmente somos, ainda que não a percebamos. Se assim não fosse, morreríamos lentamente de tédio e conosco, a língua.

O que devemos fazer agora? Adaptarmo-nos rapidamente às mudanças propostas no Acordo. Esperamos que reformas mais amplas na escrita da Língua Portuguesa sejam oficializadas brevemente, pois essa é a tendência natural de uma das mais importantes criações humanas.


Antonio Carlos Xavier é professor do Departamento de Letras da UFPE

O Internetês ameaça o Português?




 Imagem: BBC Brasil

A principal característica da internet é a liberdade de expressão em qualquer língua(agem). Ela é uma espécie de grande livro aberto à espera da intervenção de todos nós. Aliada a essa liberdade, a net aumentou a velocidade na transmissão das informações.

Quando foi que você, caro leitor, escreveu uma carta de próprio punho, selou-a e levou-a aos Correios? Os quase 65 milhões de internautas brasileiros certamente têm escrito muito mais e-mails ou enviado documentos por e-mail do que escrito missivas a quem quer que seja. Por quê? Pela incomparável praticidade e rapidez no envio e na recepção das mensagens.

Para acompanhar esse ritmo alucinante, a abreviação tem sido uma eficiente estratégia para economizar tempo e apressar o fluxo do pensamento. Esse, sem dúvida, é muito mais veloz do que os dedos do mais ágil digitador. Quem de nós, ao conversar no bate-papo, escreve a palavra ‘você’ ou ‘abraço’ inteiramente e não opta pelas formas abreviadas ‘vc’ e ‘abç’? Claro que normalmente não abreviamos em e-mails ou conversas pelo MSN com quem não temos muita intimidade.

O fenômeno da abreviação não acontece só com usuários do internetês no Português do Brasil. Acontece também em outras línguas. O linguista David Crystal constatou o mesmo fenômeno com internautas usuários de língua inglesa na Grã-Bretanha.

Diferentemente do que pensam aqueles preocupados com a falência do idioma luso por causa de tais reduções de palavras, a prática da abreviação não é recente, nem é culpa da internet. Sabe-se que ela já acontecia no século VI antes de Cristo, por causa da dificuldade de encontrar o papiro, um dos primeiros suportes de escrita. A prática da abreviação proliferou-se entre os copistas no século X d.C. em razão do alto custo do pergaminho, e pode ser fartamente encontrada em cartas manuscritas dos séculos XVIII e XIX pelos governantes brasileiros.

Todavia, assim como no passado, essas abreviações não ameaçam o sistema de escrita alfabético do Português, que funciona por força de lei ao se escreverem documentos oficiais em norma padrão da língua nas diversas instituições do país. Além do mais, não se constataram, até o presente, mudanças na estrutura sintática da língua, apenas modificações na forma de escrita de alguns vocábulos.

Em geral, as palavras abreviadas pelos internautas são aquelas mais comuns e previsíveis na sequência dos enunciados informais. É raro encontrarmos palavras mais sofisticadas como “reforma” ou “Constituição” abreviadas. Os internautas, para abreviar, tem levado em consideração três fatores: o tema em discussão, o grau de intimidade com o interlocutor e a adequação do gênero de texto à situação comunicativa.

Podemos afirmar sem receio que o internetês é mais uma maneira de usar a linguagem dentre as várias já criadas pelo homem. Ao invés de nos preocuparmos com uma suposta ameaça do internetês ao Português, deveríamos observar a interessante convergência de linguagens realizadas no computador. Isso, sim, pode-nos indicar uma inovação, posto que o internauta tem trazido para o monitor de seu pc imagens, vídeos, animações e sons, realizando uma inédita mescla de linguagens.

O internetês em si não é melhor nem pior do que as outras formas de registro da língua. Ele é apenas diferente, que por razões de tempo, objetividade e pelo efeito novidade está ganhando muitos adeptos entre usuários da grande rede, principalmente os mais jovens, mais despojados e transgressores a normas estabelecidas. Do ponto de vista expressivo, o internetês é irrefutavelmente rico, pois se apropria das outras linguagens para se constituir enquanto tal e permitir a liberdade de expressão por meio de outros signos além dos verbais.

Antonio Carlos Xavier é professor de Português e Linguística da UFPE